Sono e Vigília
Saturday, February 19, 2005
Friday, February 18, 2005
A arte de ser pela metade
Eu não quero. Eu não vou. Eu não fico. Eu não posso. Eu não agüento. Eu não consigo. Eu não entendo. Eu não suporto. Eu não supero. Eu não imagino. Eu não tolero. Eu não sinto. Eu não acredito. Eu não penso. Eu não raciocino. Eu não esqueço. Eu não lembro. Eu não me importo. Eu não desejo. Eu não luto. Eu não ouço. Eu não vejo. Eu não me calo. Eu não falo. Eu não sonho. Eu não...Eu me nego.
De volta pra casa
Mas eu não sou reservada, acho. Só acho que dividir problemas não é encontrar a solução. Hoje não foi o que posso chamar de um dia bom. Quase me afoguei em superficialidades e autopiedade. Isso vem de más decisões. E complexos... e defeitos... Arrogância, por que eu não posso admitir que também tenho defeitos?
Continuando, um amigo meu me disse uma vez que eu sou perfeccionista. Falou que tenho medo de errar e que minha timidez vinha disso, dessa arrogância. Hum. Minha timidez faz o meu perfeccionismo ou o meu perfeccionismo faz a minha timidez?
Friday, February 11, 2005
Sobre essa arte
Preciso dizer que há uma bonita e intrigante cumplicidade entre as mulheres. Isto é, quando elas se descobrem mulheres apenas e deixam toda aquela competitividade boba de lado. Uma vez, um amigo meu me perguntou se eu concordava com Vinícius de Moraes quando ele dizia da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar.
Talvez eu concorde com ele agora. Somos criadas para sentir, de um modo que desperta e incentiva a nossa sensibilidade. Temos o costume de nos apaixonar em grupo. De contar para as amigas cada detalhe, cada sensação que ele despertou hoje quando estava vestido com aquela blusa branca horrorosa que ele também usou na quinta-feira à tarde da semana passada.
Possuímos certas peculiaridades, comuns a todas mulheres e fonte de uma conexão meio subliminar. Aquela coisa que não aparece e que não precisa ser dita, mas que podemos entender com um olhar ou um simples comentário.
Como outro dia, entrei no elevador com a minha mãe e logo após entrou uma mulher de sua idade, talvez um pouco mais nova. Logo ela começou a falar do calor que estava sentindo. A ascensorista comentou que o dia estava quente mesmo. Mas a mulher continuou falando, num tom bem-humorado, de como a sua filha não entendia alguns dias em que ela sentia esse calor que quase nada refrescava. Então, minha mãe e a ascensorista comentaram rindo: “Ah, desse calor nós sabemos!”. Para as pessoas perdidas e mal-informadas: estou falando da menopausa.
A gente também se entende quando vê aquelas supermulheres na televisão, sem um defeito à vista. A gente se entende quando vê a passagem do tempo deixando marcas no rosto da mãe ou a amiga ganhando uns quilinhos a mais nesse mundo que valoriza tanto(às vezes parece que somente) a juventude e a beleza, principalmente a feminina. A gente sente.
Nós sabemos como controlar mesmo tendo uma posição mais submissa. Sabemos o poder da auto-estima e como ele influi na sensualidade. Sabemos como somos complicadas de lidar apesar de termos desejos tão simples. Nós choramos junto com a mocinha do cinema quando ela descobre que estava sendo traída. Sabemos o quanto podemos ser grandes e o quanto podemos ser destrutivas. Precisamos de respeito e chocolate. E acima de tudo, não estou sendo romântica nem ingênua ao afirmar, que temos necessidade de amar.
Thursday, February 10, 2005
Mais um dia
Uma boa história para contar e fingir indignação mais tarde, durante o jantar com a família. Para onde vai este país, diriam. Ou suas variações: o mundo está um caos, não se pode mais confiar nas pessoas e os bandidos estão soltos. Daí a conversa partiria para incompetência da política. Logo logo, já estariam falando das notícias do telejornal. Comentariam a entrevista daquela atriz famosa da novela das oito. Com o corpo dela na memória, muitas pessoas evitariam a sobremesa – finalmente uma atitude. Iriam dormir se sentindo bem em relação à vida que levavam. Meio temerosos, agradeceriam.
Enquanto isso não acontecia e o tempo não passava, o corpo do garoto jazia praticamente nu sobre a calçada, com cinco cortes no peito. Os policiais chegariam logo e limpariam aquele incômodo da rua e das mentes das pessoas. Ah. Durante a noite, antes de dormir, os grandes juízes também se sentiriam um pouco desconfortáveis. Que fina agulha era aquela debaixo de todos os colchões e almofadas? Talvez fosse a consciência da culpada satisfação. Ou a tristeza de uma natureza humana que se achava tão fraca.
