Sobre essa arte
Preciso dizer que há uma bonita e intrigante cumplicidade entre as mulheres. Isto é, quando elas se descobrem mulheres apenas e deixam toda aquela competitividade boba de lado. Uma vez, um amigo meu me perguntou se eu concordava com Vinícius de Moraes quando ele dizia da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar.
Talvez eu concorde com ele agora. Somos criadas para sentir, de um modo que desperta e incentiva a nossa sensibilidade. Temos o costume de nos apaixonar em grupo. De contar para as amigas cada detalhe, cada sensação que ele despertou hoje quando estava vestido com aquela blusa branca horrorosa que ele também usou na quinta-feira à tarde da semana passada.
Possuímos certas peculiaridades, comuns a todas mulheres e fonte de uma conexão meio subliminar. Aquela coisa que não aparece e que não precisa ser dita, mas que podemos entender com um olhar ou um simples comentário.
Como outro dia, entrei no elevador com a minha mãe e logo após entrou uma mulher de sua idade, talvez um pouco mais nova. Logo ela começou a falar do calor que estava sentindo. A ascensorista comentou que o dia estava quente mesmo. Mas a mulher continuou falando, num tom bem-humorado, de como a sua filha não entendia alguns dias em que ela sentia esse calor que quase nada refrescava. Então, minha mãe e a ascensorista comentaram rindo: “Ah, desse calor nós sabemos!”. Para as pessoas perdidas e mal-informadas: estou falando da menopausa.
A gente também se entende quando vê aquelas supermulheres na televisão, sem um defeito à vista. A gente se entende quando vê a passagem do tempo deixando marcas no rosto da mãe ou a amiga ganhando uns quilinhos a mais nesse mundo que valoriza tanto(às vezes parece que somente) a juventude e a beleza, principalmente a feminina. A gente sente.
Nós sabemos como controlar mesmo tendo uma posição mais submissa. Sabemos o poder da auto-estima e como ele influi na sensualidade. Sabemos como somos complicadas de lidar apesar de termos desejos tão simples. Nós choramos junto com a mocinha do cinema quando ela descobre que estava sendo traída. Sabemos o quanto podemos ser grandes e o quanto podemos ser destrutivas. Precisamos de respeito e chocolate. E acima de tudo, não estou sendo romântica nem ingênua ao afirmar, que temos necessidade de amar.

1 Comments:
Nossa Lu! Cada dia q passa fico mais impressionada com vc! Seus textos estao maravilhosos.. vc tem uma sensibilidade pra esrever fora do comum!! Adorei os dois ultimos em especial! Bjos, Lary Campos
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