Sunday, August 06, 2006

As verdadeiras custas do processo

O Direito não vai mudar o mundo. É triste essa constatação para qualquer jurista que se preze. Às vezes chega a ser insuportável e a decepção gerada pode provocar a desistência do curso, da carreira ou até mesmo da vida. Não é drama. São muitos os que trilham os caminhos do Direito em busca da Justiça, mas logo eles se encontram com os verdadeiros promotores dessa última, isto é, os seres humanos. Tudo o que o Direito faz é tentar apagar o incêndio e quem sabe tentar prevenir outros, mas, por mais que tente, ele não tem varinha de condão para restabelecer as coisas no estado anterior ou mesmo poderes de prever o futuro. A decisão final de fazer justiça então não é proferida em nenhum acórdão ou por nenhuma turma julgadora. Ela é de cada ser humano, o primeiro responsável por suas ações e escolhas. Tenta-se promover a justiça, defender a justiça e decidir equitativamente. Porém, o jurista logo se vê na triste realidade de quem não pode atingir a raiz do mal e acaba sendo culpado pela sociedade por uma falha que não é fruto nada mais do que de uma impossibilidade inicial. Temos ainda outros problemas no sistema. O primeiro é que pessoas corrompidas estão em todo lugar. Claro, não podemos nos esquecer do outro extremo. Daqueles estudantes que fazem o curso para ter acesso a um mercado restrito, o mercado de venda de sentenças! Um objetivo menos valoroso diante do senso comum, é claro, mas que nem por isso deixa de existir. O segundo é o próprio formalismo inerente ao Direito. A norma não pode descrever de forma perfeita o caso concreto e esse fato tem por conseqüência aplicações desencontradas com a realidade. Entre o formalismo e a justiça, vez ou outra o Direito acaba tendo que optar pelo primeiro para se sustentar. Patética acaba sendo a realidade dos juristas que procuravam pela segunda. É sim frustrante essa vida de quem luta pela justiça através de um sistema que sempre foi e sempre será um meio imperfeito de consegui-la. Resta apenas esquecer a culpa e lembrar que o Direito é produto dos homens, assim como a justiça e injustiça. As pessoas mudam o mundo. As pessoas criam o mundo. Boa sorte para os juristas na tentativa de mudar uma pessoa! Uma que seja. Quem sabe começando por si mesmo, não custa nada... Custa?

Thursday, August 03, 2006

Espera*

O que é que faz o tempo se arrastar pelas paredes, chão e teto e acompanhar o ar parado desse dia? Nada se movimenta, nada acontece e nada passa enquanto meu pensamento se locomove na sua direção. Essa relatividade que faz o mundo parecer mais pesado e mais chato diante da energia que mal se controla dentro de mim tem se tornado insuportável. Insustentável ainda é continuar nesse estado de euforia tormentosa, que confunde alegria e tristeza, liberdade e prisão. Estou apaixonado. Pior do que isso: estou apaixonado e espero. A esperança de um apaixonado não é mais do que uma dúvida intransponível cercada das teses mais fabulosas e paradoxais. Diga-me como é se sentir o senhor do destino de alguém, diga-me se estamos em fusos com horários nos quais o tempo corre de maneira diferente e eu apenas pedirei para lembrar-se de que você se tornou eternamente responsável por aquilo que cativou. Você é a responsável por este cativeiro sem grades e sem chaves do qual nem sei se quero me libertar. Enquanto isso eu espero dentro da anomalia do meu espaço-tempo, indiferente ao mundo e subordinado a você.
*Texto em homenagem ao um amigo que atualmente sofre dos males do amor.