Saturday, February 19, 2005

Quinze Minutos

Quinze minutos, ele disse. Olhou decidido para a mala e depois para a porta. Pelo menos tentou. Não só os olhos fugidios como também as sobrancelhas arqueadas transmitiam um ar perdido e triste. Mas definitivamente estava decidido. Não, ele não ia mais agüentar aquela tortura de ter de satisfazer cada desejo dela, não mesmo. Ele não ia agüentar mais aquela ânsia de ter que se provar de novo e de novo que estava à altura dela. Ela tinha quinze minutos para dar um motivo, um motivo sequer pelo qual ele devia ficar. Lembrou de quando foi na padaria mais cedo. Sentia mais prazer em comprar o bolo inglês que ela tanto gostava do que qualquer coisa para ele. Esse simples pensamento o colocou de volta sentado no sofá. Passou a mão pela cabeça. Naquele momento se deu conta. Começou a ficar inquieto e bater os pés no chão. Não tinha jeito. Aquela tortura dava sentido à sua vida. Levantou-se. Foi quando realmente a viu. Sentada, os braços entrelaçavam as pernas. A boca muda semi-aberta dizia mais coisas do que os livros poderiam transmitir. Quando as lágrimas começaram a descer ele teve certeza. Ela estava tão perdida como ele. E muito mais perdida sem ele. Ali, sentada, ela fazia um pedido. E ele atendeu.

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