Espera*
O que é que faz o tempo se arrastar pelas paredes, chão e teto e acompanhar o ar parado desse dia? Nada se movimenta, nada acontece e nada passa enquanto meu pensamento se locomove na sua direção. Essa relatividade que faz o mundo parecer mais pesado e mais chato diante da energia que mal se controla dentro de mim tem se tornado insuportável. Insustentável ainda é continuar nesse estado de euforia tormentosa, que confunde alegria e tristeza, liberdade e prisão. Estou apaixonado. Pior do que isso: estou apaixonado e espero. A esperança de um apaixonado não é mais do que uma dúvida intransponível cercada das teses mais fabulosas e paradoxais. Diga-me como é se sentir o senhor do destino de alguém, diga-me se estamos em fusos com horários nos quais o tempo corre de maneira diferente e eu apenas pedirei para lembrar-se de que você se tornou eternamente responsável por aquilo que cativou. Você é a responsável por este cativeiro sem grades e sem chaves do qual nem sei se quero me libertar. Enquanto isso eu espero dentro da anomalia do meu espaço-tempo, indiferente ao mundo e subordinado a você.
*Texto em homenagem ao um amigo que atualmente sofre dos males do amor.

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