Na saúde e na doença
João estava um pouco desconfiado. Já era o décimo médico que procurava e até o presente momento todos haviam falhado em lhe dar uma resposta satisfatória. Fizera milhares de exames, mas nenhum deles, assim como nenhum especialista, foi capaz de oferecer uma cura ao seu problema. Sabia que aquela pontada no peito capaz de paralisar sua respiração e que ele tinha certeza de trazer grandes semelhanças a uma punhalada no coração era sintoma de alguma doença grave. Comprou livros de medicina, fez pesquisas, mandou cartas para revistas de saúde e seu problema passou a ser o principal, quando não o único, tema de suas conversas.
A princípio as pessoas e os médicos se interessavam, tinham simpatia e ficavam curiosas. Para estes últimos, a questão virava até mesmo um desafio. Isto é, até começarem a surgir outros sintomas: náuseas, tonturas, dor nas costas, um problema no joelho, um dia o pé havia amanhecido estranho, em outro uma gripe nada normal e, enfim, um corte no papel que demonstrava claramente como a pele estava fragilizada devido à sua enfermidade. Às vezes apresentava sintomas de doenças da moda e convencia os médicos imediatamente do seu próprio diagnóstico devido ao grande conhecimento acumulado. Foi operado sem necessidade por duas vezes. Outra vez foi o responsável por uma capa de jornal ao fazer suspeitarem da volta de uma doença há muito erradicada. Assim que, de um modo geral, logo descobriam sua condição e o mandavam procurar ajuda de outros profissionais da área.
Aquela já era a segunda consulta e o médico sentado à sua frente encontrava-se no estágio inicial, ou seja, ainda estava intrigado. João tinha medo que aquele também recomendasse a ajuda de um psicólogo ou um psiquiatra. Sabia que os médicos não o entendiam e por isso havia decorado exatamente seus sintomas. Não estava para brincadeiras desta vez, descobrira qual era a doença e esta não só era grave, como também poderia começar uma epidemia. Por um momento temeu a quarentena, mas foi em frente:
- Doutor, além da congestão nasal e das dores de cabeça, agora já praticamente não consigo respirar. Tive que pegar um táxi até aqui, pois... - neste momento parou um pouco porque julgou sentir grande dificuldade de continuar - Desculpe. Pois então, acho que com um ônibus não conseguiria chegar aqui. Quando saí de casa meu pescoço estava roxo, mas agora também minhas mãos e meus pés. É porque não consigo respirar, não é?
- Isso é preocupante, seu histórico já não é bom – disse o médico levantando-se provavelmente com a intenção de fazer alguns exames.
- E sabe o que é pior? Esses dias me lembrei que sempre comi muita carne de porco. Sempre gostei muito doutor... Acho que isso acabou por ser minha danação. Você sabe o que isto significa, né? – o médico parou ao ouvir essa frase e João acabou por confundir a interrogação que se formava no rosto do recém-formado doutor com uma confirmação do seu mais provável e iminente atestado de óbito. - Exatamente, doutor. Carne de porco.
De repente, alguns pontos se ligaram na cabeça de Doutor Flávio e ele pensou compreender o problema. Disse num misto de atribulação e preocupação, já se movimentando para tomar as devidas providências:
- Meu Deus, você está tendo um infarto!
Por um instante a interrogação voltou ao rosto de Flávio quando viu o olhar decepcionado - e não preocupado - de João. Este interrompeu o doutor ao qual não sabia se chamava de senhor ou de você devido ao rosto ainda jovem:
- Não, doutor! Nem infarto, nem angina do peito, nem nada parecido! Já fiz vários exames e todos eles rejeitaram todas essas suspeitas – neste momento fez uma pausa para tomar um pouco de ar. Será que o senhor não percebe que se trata muito claramente da gripe espanhola?
Flávio era do tipo mais comum de sujeito que fica sem reação diante do absurdo e do inesperado. Seu cérebro procurava fazer ligações, interpretar a situação e tentava inutilmente achar uma frase que se adequasse ao inexplicável contexto do paciente. Não conseguiu e assim esperou maiores informações.
- Não olhe para mim assim doutor. Eu mesmo fiquei espantado quando descobri. Mas é tão óbvio! Hoje de manhã quando estava em casa assistindo ao documentário foi que tudo se encaixou. Vim diretamente para cá e agora o senhor pode entender porque pedi uma consulta de urgência.
Falava com dificuldade, mas, notando que Flávio ainda não saíra da posição de embasbaque, resolveu que teria que explicar ao doutor o que lhe havia levado àquela mais do que certa e óbvia conclusão:
- Os sintomas de uma gripe normal são dores de cabeça, dores no corpo e congestão nasal. Eu não tive dores no corpo, é certo, mas não é só isso. Na gripe espanhola, os pulmões ficam congestionados e enrijecidos, fazendo com que fique quase impossível de respirar – este foi o momento em que fez a pausa mais longa, para mostrar claramente sua dificuldade no último quesito. - E tem mais: os relatos dessa gripe mostram que os corpos ficavam todos arroxeados, doutor! Não se podia distinguir nem quem era preto nem branco! Olhe para meu pescoço, minhas mãos! Espere, doutor, que a coisa fica pior: os pesquisadores acreditam que o vírus tenha vindo de um cercado de porcos.
A última frase foi pronunciada num sussurro dramático, dando um toque final e trágico à explanação. Quando se recuperou, Flávio quase soltou uma gargalhada, mas o abatimento que toda a expressão corporal de João transmitia não deixou que assim o fizesse. O momento apenas seria cômico se os olhos do paciente não contassem como era trágico. De fato era. Aqueles olhos deixavam transparecer toda a tortura que havia passado no táxi. Naquele curto período de tempo até chegar ao seu consultório, ele foi assombrado pela certeza de que ia morrer da mesma gripe que matou milhões. Voltou para sua cadeira e olhou novamente a ficha de João. Quanto sofrimento, quanto medo, quantas doenças inventadas e sintomas ampliados. Ali estava um homem que, como todos os outros, vivia num mundo de vírus, bactérias, fungos, vermes, proteínas anormais e todo tipo de ameaças que podia ou não ser encontradas nos livros de medicina. João sofria todos os dias por ter uma sensibilidade especial de calcular os riscos e perceber a fragilidade da vida. Flávio estava com um paciente que tinha mais problemas que todos os outros ao lidar com a possibilidade da morte. O medo dela fazia com que João a conjurasse para perto de si.
- Entendo. Então o senhor pensa que isso é gripe espanhola – disse o médico com uma melhor compreensão do estado de seu paciente.
- Sim, doutor – começou ele feliz porque o médico parecia finalmente ter entendido. - Não tem cura, tem? Vai ser preciso me isolar? O risco de contaminação é alto, não é? Eu prefiro morrer sozinho que matar alguém. Você não está em perigo agora, está? E o motorista do táxi?
- Quando começou sua dificuldade de respirar? – Flávio interrompeu-o.
- Logo hoje de manhã mesmo...
- Ah, sim. Antes ou depois do documentário?
- Acho que antes. Ou será que foi depois? Lembro só que assim que desliguei a televisão eu mal consegui juntar forças para me levantar do sofá. Foi durante que eu percebi, acho que o documentário me alertou.
O médico já ia fazer mais uma pergunta quando a secretária chamou ao telefone dizendo que a esposa de Flávio se encontrava ali e gostaria de entrar. A essa altura Flávio já sabia que aquele não seria um dia rotineiro. Assim que recebeu a permissão, Sara entrou e pediu licença com um certo alheamento da situação que para ela já se tornara habitual. Tinha feições delicadas, mas delas emanavam força e até indiferença com o seu redor. É bom informar ao leitor que tais qualidades neste caso são as mesmas que normalmente acometem as mulheres que aprendem com o sofrimento a encarar a vida de forma prática. A força e a indiferença acabam por nascer quando a sobrevivência pede para não derramar as lágrimas. João encarou sua mulher como quem já sabia o que ia ouvir, mas ela se antecipou a qualquer protesto do marido:
- Doutor, me desculpe, mas meu marido não precisa de seus cuidados. Ele precisa de um psicólogo ou de outro tipo de médico, um psiquiatra. Infelizmente, ele não consegue entender isso por mais que falem com ele – disse num tom maternal. - Muito obrigada e desculpe os transtornos. Mais tarde eu passo para acertar os custos com a sua secretária.
Parou um pouco e lançou a João um cansado olhar dizendo que não gostaria de repetir o discurso e as explicações de sempre. Continuou desanimada:
- Vamos, meu bem.
João reagiu ao pedido delicado como se fosse a última gota d’água. Levantou-se agitado gritando:
A princípio as pessoas e os médicos se interessavam, tinham simpatia e ficavam curiosas. Para estes últimos, a questão virava até mesmo um desafio. Isto é, até começarem a surgir outros sintomas: náuseas, tonturas, dor nas costas, um problema no joelho, um dia o pé havia amanhecido estranho, em outro uma gripe nada normal e, enfim, um corte no papel que demonstrava claramente como a pele estava fragilizada devido à sua enfermidade. Às vezes apresentava sintomas de doenças da moda e convencia os médicos imediatamente do seu próprio diagnóstico devido ao grande conhecimento acumulado. Foi operado sem necessidade por duas vezes. Outra vez foi o responsável por uma capa de jornal ao fazer suspeitarem da volta de uma doença há muito erradicada. Assim que, de um modo geral, logo descobriam sua condição e o mandavam procurar ajuda de outros profissionais da área.
Aquela já era a segunda consulta e o médico sentado à sua frente encontrava-se no estágio inicial, ou seja, ainda estava intrigado. João tinha medo que aquele também recomendasse a ajuda de um psicólogo ou um psiquiatra. Sabia que os médicos não o entendiam e por isso havia decorado exatamente seus sintomas. Não estava para brincadeiras desta vez, descobrira qual era a doença e esta não só era grave, como também poderia começar uma epidemia. Por um momento temeu a quarentena, mas foi em frente:
- Doutor, além da congestão nasal e das dores de cabeça, agora já praticamente não consigo respirar. Tive que pegar um táxi até aqui, pois... - neste momento parou um pouco porque julgou sentir grande dificuldade de continuar - Desculpe. Pois então, acho que com um ônibus não conseguiria chegar aqui. Quando saí de casa meu pescoço estava roxo, mas agora também minhas mãos e meus pés. É porque não consigo respirar, não é?
- Isso é preocupante, seu histórico já não é bom – disse o médico levantando-se provavelmente com a intenção de fazer alguns exames.
- E sabe o que é pior? Esses dias me lembrei que sempre comi muita carne de porco. Sempre gostei muito doutor... Acho que isso acabou por ser minha danação. Você sabe o que isto significa, né? – o médico parou ao ouvir essa frase e João acabou por confundir a interrogação que se formava no rosto do recém-formado doutor com uma confirmação do seu mais provável e iminente atestado de óbito. - Exatamente, doutor. Carne de porco.
De repente, alguns pontos se ligaram na cabeça de Doutor Flávio e ele pensou compreender o problema. Disse num misto de atribulação e preocupação, já se movimentando para tomar as devidas providências:
- Meu Deus, você está tendo um infarto!
Por um instante a interrogação voltou ao rosto de Flávio quando viu o olhar decepcionado - e não preocupado - de João. Este interrompeu o doutor ao qual não sabia se chamava de senhor ou de você devido ao rosto ainda jovem:
- Não, doutor! Nem infarto, nem angina do peito, nem nada parecido! Já fiz vários exames e todos eles rejeitaram todas essas suspeitas – neste momento fez uma pausa para tomar um pouco de ar. Será que o senhor não percebe que se trata muito claramente da gripe espanhola?
Flávio era do tipo mais comum de sujeito que fica sem reação diante do absurdo e do inesperado. Seu cérebro procurava fazer ligações, interpretar a situação e tentava inutilmente achar uma frase que se adequasse ao inexplicável contexto do paciente. Não conseguiu e assim esperou maiores informações.
- Não olhe para mim assim doutor. Eu mesmo fiquei espantado quando descobri. Mas é tão óbvio! Hoje de manhã quando estava em casa assistindo ao documentário foi que tudo se encaixou. Vim diretamente para cá e agora o senhor pode entender porque pedi uma consulta de urgência.
Falava com dificuldade, mas, notando que Flávio ainda não saíra da posição de embasbaque, resolveu que teria que explicar ao doutor o que lhe havia levado àquela mais do que certa e óbvia conclusão:
- Os sintomas de uma gripe normal são dores de cabeça, dores no corpo e congestão nasal. Eu não tive dores no corpo, é certo, mas não é só isso. Na gripe espanhola, os pulmões ficam congestionados e enrijecidos, fazendo com que fique quase impossível de respirar – este foi o momento em que fez a pausa mais longa, para mostrar claramente sua dificuldade no último quesito. - E tem mais: os relatos dessa gripe mostram que os corpos ficavam todos arroxeados, doutor! Não se podia distinguir nem quem era preto nem branco! Olhe para meu pescoço, minhas mãos! Espere, doutor, que a coisa fica pior: os pesquisadores acreditam que o vírus tenha vindo de um cercado de porcos.
A última frase foi pronunciada num sussurro dramático, dando um toque final e trágico à explanação. Quando se recuperou, Flávio quase soltou uma gargalhada, mas o abatimento que toda a expressão corporal de João transmitia não deixou que assim o fizesse. O momento apenas seria cômico se os olhos do paciente não contassem como era trágico. De fato era. Aqueles olhos deixavam transparecer toda a tortura que havia passado no táxi. Naquele curto período de tempo até chegar ao seu consultório, ele foi assombrado pela certeza de que ia morrer da mesma gripe que matou milhões. Voltou para sua cadeira e olhou novamente a ficha de João. Quanto sofrimento, quanto medo, quantas doenças inventadas e sintomas ampliados. Ali estava um homem que, como todos os outros, vivia num mundo de vírus, bactérias, fungos, vermes, proteínas anormais e todo tipo de ameaças que podia ou não ser encontradas nos livros de medicina. João sofria todos os dias por ter uma sensibilidade especial de calcular os riscos e perceber a fragilidade da vida. Flávio estava com um paciente que tinha mais problemas que todos os outros ao lidar com a possibilidade da morte. O medo dela fazia com que João a conjurasse para perto de si.
- Entendo. Então o senhor pensa que isso é gripe espanhola – disse o médico com uma melhor compreensão do estado de seu paciente.
- Sim, doutor – começou ele feliz porque o médico parecia finalmente ter entendido. - Não tem cura, tem? Vai ser preciso me isolar? O risco de contaminação é alto, não é? Eu prefiro morrer sozinho que matar alguém. Você não está em perigo agora, está? E o motorista do táxi?
- Quando começou sua dificuldade de respirar? – Flávio interrompeu-o.
- Logo hoje de manhã mesmo...
- Ah, sim. Antes ou depois do documentário?
- Acho que antes. Ou será que foi depois? Lembro só que assim que desliguei a televisão eu mal consegui juntar forças para me levantar do sofá. Foi durante que eu percebi, acho que o documentário me alertou.
O médico já ia fazer mais uma pergunta quando a secretária chamou ao telefone dizendo que a esposa de Flávio se encontrava ali e gostaria de entrar. A essa altura Flávio já sabia que aquele não seria um dia rotineiro. Assim que recebeu a permissão, Sara entrou e pediu licença com um certo alheamento da situação que para ela já se tornara habitual. Tinha feições delicadas, mas delas emanavam força e até indiferença com o seu redor. É bom informar ao leitor que tais qualidades neste caso são as mesmas que normalmente acometem as mulheres que aprendem com o sofrimento a encarar a vida de forma prática. A força e a indiferença acabam por nascer quando a sobrevivência pede para não derramar as lágrimas. João encarou sua mulher como quem já sabia o que ia ouvir, mas ela se antecipou a qualquer protesto do marido:
- Doutor, me desculpe, mas meu marido não precisa de seus cuidados. Ele precisa de um psicólogo ou de outro tipo de médico, um psiquiatra. Infelizmente, ele não consegue entender isso por mais que falem com ele – disse num tom maternal. - Muito obrigada e desculpe os transtornos. Mais tarde eu passo para acertar os custos com a sua secretária.
Parou um pouco e lançou a João um cansado olhar dizendo que não gostaria de repetir o discurso e as explicações de sempre. Continuou desanimada:
- Vamos, meu bem.
João reagiu ao pedido delicado como se fosse a última gota d’água. Levantou-se agitado gritando:
- É sempre a mesma coisa! Estou começando a achar que você não quer me ver curado. Acho que você quer que eu morra de uma vez! É isto que você quer? O que você tem a ganhar? É isto, é isto?
Ia continuar, mas percebeu que sua esposa, imóvel, começava a derramar lágrimas. Flávio pensou em intervir mas percebeu que aquela história estava além do que podia sequer imaginar. João estava arrependido, mas ao mesmo tempo não gostava de ser tratado como uma criança. Há algum tempo começara a pensar que ninguém se importava com ele, nem mesmo Sara dava ouvidos a suas reclamações mais. A verdade, que se tornava mais clara a cada dia, era que ninguém se preocupava com ele. No entanto, aquele acontecimento tinha algo de muito novo e muito estranho. Nunca antes vira sua esposa chorar. Algo muito sério se passava. Antes que pudesse indagar, ela respondeu as dúvidas dos seus pensamentos:
- Meu bem, estou com câncer de mama.
João desmaiou.
Quando ele acordou com a ajuda de Flávio e da secretária, Sara quis como nunca antes chorar. Sentiu-se desamparada, sozinha contra um mal que não podia controlar. De repente sentiu raiva do marido que não podia apoiá-la. Quis xingá-lo e gritar com ele. Queria naquele momento de alguma forma libertar toda sua revolta de maneira física, com mãos e muita voz. No entanto, quando ele abriu os olhos, logo procurou os dela e ali ela soube que aqueles olhos eram os únicos que podiam compreender toda a dor de conviver e combater uma doença. Encontraram-se naquele momento. Sentiu-se reconfortada pela companhia e pela simpatia que aquele olhar estava a lhe oferecer. Aceitou a oferenda e ambos desabafaram o sentimento comum em lágrimas cúmplices. Numa voz engasgada e entrecortada, enquanto beijava-lhe o rosto, falou:
- Vai ficar tudo bem.
Ia continuar, mas percebeu que sua esposa, imóvel, começava a derramar lágrimas. Flávio pensou em intervir mas percebeu que aquela história estava além do que podia sequer imaginar. João estava arrependido, mas ao mesmo tempo não gostava de ser tratado como uma criança. Há algum tempo começara a pensar que ninguém se importava com ele, nem mesmo Sara dava ouvidos a suas reclamações mais. A verdade, que se tornava mais clara a cada dia, era que ninguém se preocupava com ele. No entanto, aquele acontecimento tinha algo de muito novo e muito estranho. Nunca antes vira sua esposa chorar. Algo muito sério se passava. Antes que pudesse indagar, ela respondeu as dúvidas dos seus pensamentos:
- Meu bem, estou com câncer de mama.
João desmaiou.
Quando ele acordou com a ajuda de Flávio e da secretária, Sara quis como nunca antes chorar. Sentiu-se desamparada, sozinha contra um mal que não podia controlar. De repente sentiu raiva do marido que não podia apoiá-la. Quis xingá-lo e gritar com ele. Queria naquele momento de alguma forma libertar toda sua revolta de maneira física, com mãos e muita voz. No entanto, quando ele abriu os olhos, logo procurou os dela e ali ela soube que aqueles olhos eram os únicos que podiam compreender toda a dor de conviver e combater uma doença. Encontraram-se naquele momento. Sentiu-se reconfortada pela companhia e pela simpatia que aquele olhar estava a lhe oferecer. Aceitou a oferenda e ambos desabafaram o sentimento comum em lágrimas cúmplices. Numa voz engasgada e entrecortada, enquanto beijava-lhe o rosto, falou:
- Vai ficar tudo bem.

2 Comments:
SEM PALAVRAS... Nossa Lu... mto bom! Sabe qdo a gente arrepia? Pois é... De onde vc tira essas idéias? Q final foi esse? Espetacular...
Por que as mulheres sao tao fortes mas aparentam ser tao frageis}
OBS: Resolvi mudar os simbolos da lingua portuguesa, agora } este será o meu ponto de interrogação. rsrsrsrs
Beijos Neto.
Post a Comment
<< Home