Monday, November 09, 2009

Momentos

Eu sobrevoava. Eu voava sobre todas as formações rochosas lá no fundo. Grécia. Ilhas de origem vulcânica. Respirando por meio de um tubo, eu boiava na superfície com os olhos voltados para baixo, descobrindo uma paisagem completamente nova, outro ritmo, outros barulhos. De repente, um cardume de peixes a cinco palmos de distância. Foi uma hipnose instantânea. Eles nadavam como se estivessem presos em uma caixa imaginária, davam voltas ali dentro, se confundiam uns com os outros, e pareciam não notar minha presença ou não se incomodar com ela. Eles estavam a um braço de distância. Neste momento, eu já havia me esquecido de tudo, até mesmo do meu amigo loiro, alto e de olhos azuis, que nadava a alguns tantos metros de distância. Eles estavam tão perto. Nadavam, dançavam, com as escamas reluzindo ao som da luz refletida por debaixo d’água. Era um privilégio poder observar tão de perto essa natural interação caótica dentro de uma realidade tão longe da minha. Curiosidade. Eu quis tocar. Estendi meus braços. Num movimento só, havia dois corpos se movendo em direções contrárias. O cardume havia se assustado comigo e havia se dispersado pelas águas de seu ambiente natural. Eu, que inocentemente talvez esperasse outra reação, também me lancei para trás. Meu amigo loiro, alto e de olhos azuis, me disse mais tarde que ambos nos assustamos, eu e o cardume. Eu e minha velha mania de criar as expectativas erradas, de não saber ler os sinais, de ansiar, de querer tocar, e de ficar depois assustada olhando para o nada, tentando me lembrar do que tinha antes de querer segurar.

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