A Fuga
- Depressa, a pilha da lanterna vai acabar! – disse, num sussuro, uma voz preocupada.
- Não consigo achar onde eles colocaram nossos suprimentos dessa vez. – outra voz respondeu agitada.
- Não faz tanto barulho! Desse jeito não vamos conseguir fugir. E cuidado! Da outro vez eles nos acharam quando você derrubou aquela jarra de vidro. – falou a primeira voz num misto de comando e experiência.
- Será que nós devemos mesmo fazer isso? Eles vão ficar bravos e pode ser pior. -interrompeu uma terceira voz.
- Agora não é hora de dar para trás! É a nossa chance! – voltou a se fazer ouvir a primeira voz. – Foi muita sorte achar o esconderijo das chaves...
- Achei! – interrompeu a segunda voz tentando conter a emoção. – Andem, antes que eles acordem! Está tudo pronto?
- Sim! – foi a resposta em uníssono.
- Então vamos! – e podia-se ouvir a euforia nos passos que se seguiram.
Meia hora depois uma mulher se levantava da cama pra tomar um copo d’água. Estava com dificuldades de dormir, atrapalhavam-na o calor e o pensamento de que talvez tivesse sido rigorosa demais. Quando voltou da cozinha, reparou que a porta de um dos quartos não estava completamente fechada. Terminou de abri-la apenas para achar uma cama vazia. Verificou os outros cômodos e seu instinto levou-a a verificar a dispensa da cozinha. Em seguida voltou ao seu quarto, beliscou o pé do marido e anunciou com resignação:
- Meu bem, os meninos fugiram para o quarto da piscina de novo. Eu disse que essa história de castigo de ir dormir cedo não funciona mais... Ah! E descobriram onde colocamos os pacotes de biscoito.

1 Comments:
Seus textos sao otimos! As vezes passo aqui pra ver! A Gra me mostrou uma vez e eu amei, aí venho aqui de vez em quando ver os textos novos. Eles viciam!
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