Dúvidas sobre a realidade da nossa verdade
Karen Armstrong, em Em Nome de Deus
Crenças. Nós acreditamos em tantas verdades, às vezes tão diferentes. Alguns acreditam em extraterrestres, outros acreditam que os ufólogos são uns loucos sem noção da realidade. Alguns acreditam que o homossexualismo é genético, outros já têm certeza de que isso é pecado. Alguns acreditam em Deus, outros são ateus. Alguns acreditam no amor, outros na sina solitária do ser humano. Alguns acreditam no altruísmo, outros acham que este é uma forma mais elaborada de egoísmo.
Há ainda quem desconfie de que não houve viagem à lua, do mesmo jeito que há quem acredita piamente em tudo se coloca num programa de televisão ou num livro. Há pessoas que vêem um sentido na vida, enquanto há outras que não lhe dão crédito e até mesmo renunciam a ela. Há quem pense que coca-light e uns quilos a menos proporcionam felicidade, do mesmo jeito que há gente que se sentiria miserável ao ter que fazer uma dieta.
Verdades. Escolhemos tantas e variadas verdades para nossa vida e assim nos pautamos por elas. Uma verdade vai sucedendo a outra em nosso quebra-cabeça de crenças e este último muitas vezes é um brinquedo que não se encaixa. Nossas crenças suportam nossas verdades e nossas verdades suportam nossas crenças construindo um castelo de cartas que parece formar a ilusão da nossa existência. Qual o peso da verdade no castelo de cada um? Qual verdade não depende do ponto de vista?
Cada um vive de acordo com aquilo em que acredita e de acordo com o que lhe parece fazer mais ou menos sentido. No entanto, essas crenças e essas verdades podem ser tão conflitantes que fazem imaginar não quem está certo, pois pode ser que ninguém esteja, mas qual o valor de uma vida inventada por nós mesmos. E não há como negar que cada um de nós está errado em algum ponto. Se não descobrirmos isso agora, um dia descobriremos ou quem sabe nosso legado descobrirá por nós.
Valores e princípios. Foram tantos que mudaram ao longo da história e são tantos que divergem até hoje. O que está certo? Viver dez anos a mil ou mil anos a dez? Ou será que nenhum dos dois e sim o caminho do meio? Fica a dúvida se algo muda de fato, se faz alguma diferença, se há uma estrela fixa pela qual possamos nos guiar ou se podemos escolher qualquer uma na imensidão da Via Láctea. Fica a dúvida se essa dúvida é pertinente.
A afirmação de que a verdade pode ser uma escolha é ousada e impressionante, mas não é sempre verdade. Talvez seja, há quem acredite que sim. Preocupar-se com essas questões é entrar de olhos vendados num labirinto. Este poderia nos levar a um lugar extraordinário ou nos deixar estáticos numa cruzada impossível. Então escolhemos outro caminho, seja lá para onde ele leve. E assim vamos contornando os grandes mistérios, ignorando a realidade que incomoda com uns cutucões, criando castelos de areia, querendo voar e quebrando o nariz no chão de asfalto, entretendo nossa mente com as mais variadas ocupações, crenças e verdades. Não se ousa ou não se quer encarar o labirinto de frente. Simplesmente vive-se algo que a gente combinou de chamar realidade.

2 Comments:
Só queria que minhas verdades fossem aceitas por pelo menos quem mais convive comigo e tal...
estranho isso...
pessoas parecidas, mundos diferentes e tal...
mas por aí vai, e eu não sei falar muito bem sobre isso, me sinto meio boba diante de um texto bem,bem elaborado!!
saudades de você, viu!
beijos
". . . . This pragmatism would always be a factor in the history of God. People would continue to adopt a particular conception of the divine because it worked for them, not because it was scientifically or philosophically sound." Karen Armstrong.
We find ourselves curiously at odds with our world. We experience suffering even as we desire joy. We suffer from selfishness even as we receive its pleasures, coming and going like the rain and the sun. Our minds are full of conflicting ideas and ideals. Our higher self asks what it can give, our lower self what it can take. One has to wonder if the most profound way to know is to experience, directly and without prejudice, all that is most divine in our world.
Lao Tzu says:
Finding Unity
Those who know do not speak;
Those who speak do not know.
Stop up the openings,
Close down the doors,
Rub off the sharp edges.
Unravel all confusion.
Harmonize the light,
Give up contention:
This is called finding the unity of life.
When love and hatred cannot affect you,
Profit and loss cannot touch you,
Praise and blame cannot ruffle you,
You are honored by all the world.
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