Thursday, September 29, 2005

Um nós sem um eu

A gente se mata aos poucos.
Em dia de manhã feia ou bonita.
Ser suicida é quase natural
Quando em casa tem visita.

Nesse jogo de esconde-esconde,
Qual é a verdade que se mostra?
Sob os pés as pontes se racham
E no abismo a solidão se esboça.

Nós sofremos de nossa infidelidade,
Dessa nossa traição a quem se é,
Num simples consentir mentiroso
Nos damos a um conhecido qualquer.

Assim faz-se o perder-se de si,
Com a cabeça oca; a vida vazia.
E então já nem podemos dispor
Da nossa própria companhia.

Nosso interpretar a realidade
Constitui uma errata constante.
Ilusão e omissão vão construindo
Uma alegoria mirabolante.

Um segue o outro, e o outro?
O outro também segue o um.
Você mais você é igual a nós.
Não há eu em lugar algum.

1 Comments:

At 5:14 PM, January 01, 2007, Anonymous Anonymous said...

"Nosso interpretar a realidade
Constitui uma errata constante.
Ilusão e omissão vão construindo
Uma alegoria mirabolante."
É sempre bom quando lemos algo e nos identificamos... Seus textos são simplesmente d+!!! bjus... Thiago.

 

Post a Comment

<< Home