Foi para ser
Foi o vento que me mostrou que eu não vivia num filme, afinal meu cabelo se atrapalhava quando ele vinha. Foi o sol que me contou que há se ter cautela ao encarar algumas coisas de frente: muita claridade podia me impedir de enxergar. Foi a terra que me confidenciou que estava ali não para me fazer cair, mas para me segurar. Foi a água que me ensinou que eu não preciso estar no ar para ter a sensação de voar. Foram as palavras intraduzíveis que me impuseram um abraço como a única condição de me expressar. Foi minha voz rouca ao falar com ele que me mostrou o que era paixão. Foi meu sorriso ao vê-lo feliz que me mostrou o que era amor. Foi a filosofia que me alertou que na dúvida eu encontraria libertação. Foi o gostar de mim mesma que me silenciou por dentro e me conduziu à paz. Foi a chuva que matou minha sede. Foi minha timidez que me fez sentir e rejeitar a injustiça. Foi o egoísmo que me deu aulas sobre o respeito. Foram os meus pais que me provaram que existe a entrega. Foram os acasos que despertaram meu encanto com o mundo. Foram meus bons e maus amigos que me fizeram descobrir o que é amizade. Foram as decisões que me fizeram crescer e me disseram o que era isso. Foram as bocas que tanto falavam que estimularam essa busca por liberdade. Foi querer ser uma pessoa melhor que me fez feliz. Foi o medo que me disse que a coragem não existe. Foi a coragem que me fez pular a ponte caída entre o querer e o tentar. Foi a irreverência que me atraiu por mostrar o que é ter poder mesmo sem ter poder. Foi olhando nos olhos que eu aprendi a conversar. Foi o tempo que me mostrou que eu não era boazinha. Foram as lembranças que provaram a existência do tempo. Foi a distância que provou a existência do espaço. Foi a saudade que provou a existência do meu afeto. Foi o ócio que me mostrou que há formas de entretenimento que matam o pouco que temos de experiência nesse mundo. Foi o trabalho que me fez ver o quanto era importante o ócio. Foram os extremos que me fizeram procurar o equilíbrio. Foi com muito equilíbrio que senti a necessidade dos extremos. Foi convivendo com as pessoas que aprendi a ser mais humilde. Foi convivendo com algumas pessoas que me fiz mais arrogante. Foi escrevendo isso aqui que me perguntei se eu ainda tento passar a imagem do que eu não sou. Foi o teatro que me ensinou o que era encenação na vida real. Foram os sentimentos que me ensinaram o que era arte. Foram as inúmeras pessoas incríveis que passaram pela minha vida que despertaram a minha eterna gratidão. Foi o sentimento de gratidão que se apresentou para mim inúmeras vezes para descrever minha atitude em relação à vida. Foi a tentativa de dar coerência ao que eu penso que me desesperou tantas vezes. Foi o impulso o motivo de tantas alegrias e arrependimentos na minha vida. Foi a lua que me fez sonhar com a imensidão do espaço. Foi a imensidão do espaço que me fez sentir grande. Foram tantas coisas que ainda são e constituem esse meu ser.

1 Comments:
Lu, por que as coisas que vc escreve tocam tao fundo na gente?
Acho que esse texto mostra que ninguem e auto-suficiente, que o homem se constroi como tal na convivencia com os outros. Estamos compartilhando a mesma jornada. Em alguns momentos temos que caminhar sozinhos, em outros econtramos o apoio de nossos companheiros. As vezes me pergunto se percorremos esse caminho em direçao a algo alem, ou se, o proprio caminhar seja o fim em si mesmo. Nao sei!!Mas fico feliz em estar vivo e poder compartilhar da minha experiencia (talvez unica) com vcs. beijos neto...
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