Carpe diem
Procrastinação. Esse era seu pecado. Deixava para começar tudo no dia seguinte. Não era medo, não era preguiça ou insegurança. Gostava simplesmente de ir levando a vida. Só fazia ela se desenvolver na sua cabeça. Lá as coisas aconteciam. Protagonizava romances, novelas, dramas. Já havia salvado o mundo duas vezes. Imaginava como seria um grande profissional assim que começasse a batalhar. Sonhava com o dia em que levantaria da cama e seria simplesmente feliz.Pogramava mil viagens, mas adiava, adiava e adiava. Quando tiver mais dinheiro! Quando tiver mais tempo! Quem sabe nas próximas férias, quando eu não estiver tão cansado? Mas a verdade é que adorava simplesmente programar. Para isso estava sempre disposto. Perguntavam-lhe as novidades e a resposta era sempre a mesma negativa. Perguntavam-lhe o que ele tinha feito no feriado, no final de semana, no dia anterior e uma resposta se repetia: nada de mais. Quando percebeu isso, começou a preocupar-se. Vasculhou sua vida e ficou decepcionado. Afinal, admitiu que aquilo que estava vivendo era um problema e não a vida. Vivia na mente e não no mundo. Vivia sempre a vida que ainda viria.Com um pouco de desconfiança, procurou uma solução. Percebeu que contava um amanhã muito incerto, podia ser que um dia ele falhasse. Leu vários livros de auto-ajuda e resolveu viver no hoje. Prorrogou a tomada de atitude por mais uma semana, até que, seguindo os conselhos de um dos livros, resolveu escrever no espelho: Amanhã? A princípio, funcionou muito bem. Comprava presente para os amigos, elogiava, declarava amores e desamores. Lutava pelo que achava certo. Ficava calmo diante dos pequenos problemas, pois estes não eram bons o suficiente para perturbar o seu dia de hoje. Logo constatou que a vida assim vivida requeria um grande ânimo e motivação. Descobriu que era exatamente isso que buscava naqueles dias anteriores em que ficava observando a vida passar, inclusive a dos outros. Tentava achar na imensidão do mar de acontecimentos a razão de ser de tanta água. Naqueles dias, esperava por um empurrão inicial. Parou. Não mais. A vida do jeito que vivia antes não valia a pena ser vivida. A vida que vivia agora era simplesmente falsa, posto que não combinava com seu ser. Algo ainda lhe faltava. Acordou mais um dia e leu no espelho: amanhã? Não. Hoje mesmo ele acabaria com aquela existência sem merecimento. Hoje mesmo. Leu de novo: amanhã? Hesitou. Sim. Deixaria para amanhã. Ou talvez para depois de amanhã. Porque quem sabe amanhã ele não esbarraria com o que buscava no caminho da floricultura. Ou da padaria. Enquanto isso ele ia vivendo, dando o máximo de si para que as esperanças do hoje se concretizassem no amanhã.

2 Comments:
Lu, mto bom seu texto.. Eh aquilo mesmo, apesar de nao podermos deixar tudo para o futuro e "vivermos" apenas aquilo q queremos q aconteca, temos q viver o agora, mas nao deixando de sonhar com o q vira, e com o q queremos q venha.. Eh mais ou menos isso mesmo q vc quis passar? Foi assim q eu entendi, e achei mto lindo viu..
Te adoro muito
Bjins
Lary
nossa....
me identificar com esse texto me deu um pokinho de medo....
será q eu sou assim?
axo q na verdade td mundo tem um pouco disso neh....
mto bom Lu....
fazia tempo q eu nao passava por aki...
hj deu saudade....
amo seus textos!
bjux
Post a Comment
<< Home