Trajeto - Parte 2
Ah não. Hoje não vou à aula. Não vai fazer falta. Só um dia. E está tão frio lá fora. Seis e meia. Melhor levantar. Nada na geladeira. Ah! Tem o pão que eu comprei ontem. Ele. Será que eu o vejo lá hoje? Nossa, a prova! Agora já não dá mais para estudar. Quando eu chegar tenho que lavar a louça. Também tenho que comprar manteiga. Tenho que me apressar. Roupa? Que roupa? A blusa rosa, já que hoje eu devo ver ele. Mas eu a usei na sexta. Então vou com a azul mesmo. Pensando bem, a azul não, estou meio gordinha. Melhor a preta. O telefone tocou ontem à noite. Será que era minha mãe? Ela não liga desde sábado. Que falta que faz, nem pensei que fosse ser assim. Sandália? Tudo bem. Tenho que me arrumar, certo? Mas pelo menos as mais confortáveis. Que água fria. Assim dá até preguiça de lavar o rosto. Sete horas. Se eu correr, pego carona. Chaves, cadê as chaves? Que bom, a Ju está saindo agora de casa. A mãe dela parece estar simpática hoje. Então ela também não estudou para a prova. Nenhum congestionamento. Realmente, também acho que a prova não vai estar muito difícil. As mesmas fofocas. Ai, mais um dia de aula. Chegamos cedo. Ué, cadê a Ju? Que desastre! Subir as escadas é uma coisa fácil para as pessoas normais. Por que eu tinha que derrubar tudo no chão? Essas mãos são de... Ele! Aposto que meu sorriso deve estar ridículo. Aliás, ridículo é tropeçar na escada. Meu obrigado não era para sair nesse tom. Meu telefone? Realmente meu telefone? Calma. Só falar os números calmamente. Finja naturalidade. Finja naturalidade. Pelo menos o restante da conversa foi normal. Só que me esqueci de perguntar o telefone dele. Agora tenho que esperar ele ligar. Ele me pediu meu telefone! Meu telefone! Será que ele não vai querer ligar porque eu não peguei o telefone dele? E agora? Corredor vazio. Estou atrasada. A professora não está com uma cara boa. Nossa! A prova!

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