E agora que estamos aqui?
A gente consegue definir apenas metade de nossa vida. Talvez nem isso. Acordamos e já somos arrastados por um monte de ações e reações de um mundo em movimento, que nos empurra para frente, leva para trás, joga de um lado, de outro e nos faz cair no chão.Algumas pessoas apenas sobrevivem, como vegetais, levados pelo tumulto do dia-a-dia e pela multidão. Outros tentam timididamente apontar aquele caminho da direita ou da esquerda, não sei, "Será que dá para voltar ?", "Não empurra!". Às vezes se demorando horas numa encruzilhada ou nunca nunca saindo de lá. Eu queria ver a esfera maciça se explodindo em várias direções e sentidos sem sentido. Esses pontos se juntando em formas irregulares, altamente inovadoras, harmônicas, não passíveis de qualquer análise ou estatística. Um sorrisa vem ao rosto quando vejo raros tipos remando contra a maré. Dá vontade até de acompanhar, mas isso seria seguir o caminho deles e não o meu. Até mesmo esses às vezes não se dão conta que são apenas sócios majoritários em suas vidas.
O pior mesmo são as descidas muito íngremes, ou os morros e as curvas; que não se pode nem espiar. Bom é ter alguém para ir de mãos dadas, compartilhando o medo de mãos suadas e estômago sem gravidade, "Não larga da minha mão!". Os entroncamentos, as escolhas e a liberdade. Pena é quando alguém fica pra trás, às vezes para nunca mais.
É fácil perceber isso, principalmente naqueles de rosto cheio de expressões sinceras. As costas se curvam, o olhar se perde e os passos já não têm tanta pressa. Saudade pesa e a terra é dura. Um dia eu ainda fico assim, se Deus quiser! Eu percebo que minha bagagem aumenta, mas não dispenso nem as tralhas. Aí, quando eu já não tiver chão ou quando ela estiver muito pesada, eu volto meu sujeito para a terceira pessoa e tento tirar algumas lições para aqueles que ainda têm uma alma inteira a preencher.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home